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‘Se a educação sempre foi importante, agora é indispensável’, diz Skaf em palestra no Teatro do Sesi-SP

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Presidente da Fiesp, do Senai-SP e do Sesi-SP fez a abertura da palestra “A experiência da educação positiva no mundo”, com Alejandro Adler, na manhã desta quinta-feira (22/02)

22/02/2018

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp                       

Hora de debater o bem-estar nas escolas. Nesse sentido, o presidente da Fiesp, do Sesi-SP e do Senai-SP, Paulo Skaf, deu a boas-vindas aos convidados da palestra “A experiência da educação positiva no mundo”, dada pelo diretor de Educação Internacional no Centro de Psicologia Positiva da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, Alejandro Adler. O evento foi realizado na manhã desta quinta-feira (22/02), no Teatro do Sesi-SP, na Avenida Paulista, em São Paulo.

“Em primeiro lugar registro o meu respeito por vocês todos que estão aí no dia a dia, fazendo as coisas acontecerem”, disse Skaf. “A vontade do presidente não ia adiantar nada se não houvesse vocês”, afirmou à plateia repleta de diretores de escolas do Sesi-SP e do Senai-SP.

De acordo com Skaf, a indústria paulista se preocupa com a qualidade de ensino e a oferta de ambientes agradáveis que envolvam cultura e esporte. “Se a educação sempre foi importante, agora é indispensável. Temos a missão de dar oportunidade aos jovens”.

Isso num contexto de “grandes transformações”. “Vivemos uma revolução industrial de grandes transformações, a indústria 4.0”, explicou. “Temos que nos adaptar às situações, olhar para frente. Só assim poderemos ajudar o Brasil e tirar proveito desse momento”.

Também presente ao evento, o superintendente do Sesi-SP e diretor regional do Senai –SP, Walter Vicioni, destacou algumas das ações recentes na área.

“Fizemos investimentos importantes como as escolas em tempo integral e a articulação do ensino médio com o profissional”, disse. “Para nós, são os alunos que estão no palco”.  

O evento contou ainda com a presença da diretora executiva do Instituto de Educação Positiva (IEP), Larissa Loures.

Habilidades de bem-estar

Adler começou a sua apresentação afirmando que muito do que ia dizer já fazia parte da cultura educacional das escolas da indústria paulista. “Para mim os educadores são os heróis da sociedade”, afirmou. “Eliminam o que está errado e identificam potenciais, talentos que podem ser trabalhados”.

A identificação de talentos e a oferta de apoio ao desenvolvimento individual, aliás, é uma das bases da educação positiva.  

Citando um de seus ídolos, o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, Adler destacou que “a educação é a arma mais poderosa que nós podemos usar para mudar o mundo”.

“A educação atual, em vez de celebrar diferenças, se esforça para encaixar os alunos numa média, num determinado padrão de conhecimento. “Precisamos preparar os estudantes para os exames da vida”, disse. “O mundo requer outras habilidades”.

Assim, a violência escolar e a postura autoritária dos professores não deveriam mais ter espaço nas instituições de ensino. “O modelo atual de educação tem mais de 150 anos, está obsoleto”, explicou.

Foto: Helcio Nagamine/Fiesp
Skaf na abertura da palestra: escolas da indústria paulista se preocupam com a oferta de ambientes que sejam agradáveis para os alunos 


A educação positiva, por sua vez, busca promover a formação integral dos alunos, um contexto em que os professores são mentores dentro e fora da sala de aula, mais do que figuras de autoridade. “Existe uma sensação de pertencimento e comunidade, um cuida do outro”, disse.

Para Adler, tudo começa com o “bem-estar do educador”, que são os líderes da educação no dia a dia das escolas. Depois, essa ideia ganha força e pode impactar a cultura geral das instituições.

Entre os fatores que mais impactam a aprendizagem estão o estresse, ansiedade, dificuldade para dormir e o acúmulo de atividades extracurriculares.

Já os pontos que fazem com que a educação deslanche são, segundo Adler, o atendimento das necessidades básicas dos alunos, segurança física e mental, sentimentos de amor e pertencimento e apoio ao desenvolvimento das potencialidades de cada um.

Psicologia positiva

De acordo com o especialista, psicologia positiva é o estudo científico sobre o que permite que os indivíduos e as instituições floresçam.

Na prática, a chamada teoria do bem-estar envolve as emoções positivas, o engajamento, relações positivas, propósito e realizações. “A qualidade das relações que temos é o ponto mais importante para a nossa sensação de qualidade de vida”, disse Adler. “O segundo é saber que temos um bom motivo para acordar todos os dias pela manhã”.

Para o educador, a “alfabetização emocional” é tão importante quanto o aprendizado da leitura e da escrita. Nesse sentido, o desafio de debater a psicologia positiva em um país deve envolver a imersão total, o desenvolvimento curricular, a análise de poder, o treinamento dos educadores, a implementação curricular e a avaliação de impacto.

Lá n Butão

Adler apresentou algumas das ações propostas num programa de educação positiva no Butão, país localizado na Ásia, bem na Cordilheira do Himalaia.

Lá, foram ensinados conteúdos de saúde física, psicologia e nutrição num projeto que envolveu sete escolas e 7 mil estudantes. “Trabalhamos habilidades de vida paralelamente ao currículo, embutindo esses temas nos materiais acadêmicos”, disse.

Assim, foram discutidos conceitos como o valor econômico das coisas e os motivos que levam as plantas a crescerem mais ou menos em cada local, por exemplo. “O incremento do bem-estar nas escolas foi grande”, afirmou Adler. “O aumento do bem-estar se traduz em desempenho acadêmico, com mais perseverança, conectividade e engajamento”.

O especialista liderou experiências parecidas no México e no Peru.

“Construir o bem-estar em grande escala nas escolas é desejável e viável, lembrando sempre que a educação positiva começa com o bem-estar dos professores”, afirmou. “Vamos construir pontes estratégicas para acompanhar pesquisas e práticas nesse sentido nas escolas”.

Para Adler, o Brasil tem plenas condições de buscar esses modelos, nos quais alunos e professores aprendem juntos. “Pelo que vi no Sesi e no Senai, o país está pronto para a prática da educação positiva”, disse.