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Fórum de Educação Profissional destaca iniciativas necessárias para adaptar-se à nova realidade

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O evento online contou a participação do Ministro da Educação, presidente do SENAI-SP, de representantes das principais instituições de ensino do Brasil e uma das mais renomadas da Europa, o BIBB

25/11/2020

Fórum de Educação Profissional

Ricardo Terra, Paulo Skaf, Fernando Leme do Prado durante Fórum de Educação Profissional

“Temos a obrigação de dar oportunidade para todos os jovens de ter uma educação com qualidade, uma formação profissional, se aprimorarem, se atualizarem e estarem sincronizados nos novos tempos desse mundo que estamos vivendo. Essas instituições de ensino e a educação profissional sempre foram importantes, mas hoje, são fundamentais.”, destaca Paulo Skaf, presidente do da Fiesp, Ciesp e SENAI-SP, durante abertura do debate on-line “Para onde vai o trabalho e a educação profissional?”, que aconteceu nessa terça, 24/11, e contou a participação de Milton Ribeiro, Ministro da Educação, de representantes das principais instituições de ensino do Brasil e Monika Hackel, diretora da BIBB, Instituto Federal de Formação Profissional da Alemanha, renomada instituição da Europa.

 

LIVE - Para onde vai o trabalho e a educação profissional? Paulo Skaf, presidente da Fiesp, Ciesp e Senai-SP, durante a abertura do fórum.

O evento foi realizado pelo FEPESP, Fórum da Educação Profissional do Estado de São Paulo, com apoio do SENAI-SP, totalmente online e gratuito, com quatro horas de duração de ricos debates sobre educação profissional no Brasil e no mundo.

Segundo Milton Ribeiro, Ministro da Educação, que foi o primeiro a se pronunciar, “a escola profissional tem muito futuro e, cada vez mais, temos que incentivar. No mundo de hoje, não é mais possível falar em educação, preparação do jovem para o mercado de trabalho e desenvolvimento econômico sem levar em conta a crescente complexidade dos avanços científicos e tecnológicos e seus impactos sobre o conjunto da sociedade”, pontua.

O ministro completa que, nesse novo mundo que se anuncia, a requalificação dos trabalhadores e preparação dos jovens para o mercado de trabalho são, com certeza, os grandes desafios. Ele ainda destacou a importância do papel de todos as pessoas presentes no fórum, das lideranças e professores que atuam nessa área.

Skaf também elucida a importância dos educadores para o futuro da educação profissional, no Brasil: “estar em um encontro como esse é um motivo de tanto orgulho e honra por falar para educadores do meu País. Quero cumprimentar a todos, que fazem parte do dia a dia do SENAC, Centro Paula Souza, Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de São Paulo e do nosso SENAI-SP. Se não fossem por vocês, não haveria educação profissional”.

 

Fórum de Educação Profissional - Milton Ribeiro

Milton Ribeiro, Ministro da Educação, em seu gabinete diretamente de Brasília.


Novo contexto

O Brasil e o mundo estão passando por um contexto social muito desafiador, por conta da pandemia COVID-19, e isso reflete em algumas transformações no mercado de trabalho, que adiantaram discussões já previstas sobre o futuro da educação profissional.

“A pandemia acelera mudanças em curso mas que demorariam décadas para acontecer, como crenças e valores, trabalho remoto, intensificação da educação a distância, consumo com propósito e o movimento por buscas de novos conhecimentos”, relata Ana Kuller, coordenadora de Educação do SENAC-SP.

Segundo Monika Hackel, diretora da BIBB, Instituto Federal de Formação Profissional da Alemanha, há algumas coisas que já podem ser tratadas para sair da crise de forma mais otimizada. “A maioria das vagas está no setor de educação e áreas técnicas, e estamos vendo ausência de profissionais qualificados. Um pouco antes da pandemia, causada pelo coronavírus, e depois de forma mais acelerada, tivemos novas formas de trabalho, como  o desenvolvimento do trabalho home office. Além disso, nós utlizamos mais tempo para aumentar nosso desenvolvimento com cursos, nossa capacitação, durante a crise”, relata Hackel sobre a realidade na Alemanha, mas que disse acreditar que isso também se reflete no Brasil, segundo o acompanhamento de estudos com dados nacionais.

Sabrina Gomes, do Centro Paula Souza, conta que tiveram que se adaptar rapidamente para não comprometer o futuro escolar dos alunos e adotaram diversas experiências, este ano, que foram decisivas. É possível citar: plano de orientação para aprendizagem a distância, ensino remoto, gestão virtual com o teletrabalho e recursos didáticos diferenciados, com palestras de especialistas da área, aulas gravadas em laboratório, experimentos realizados pelos alunos em suas residências.

Breno Santos, do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de São Paulo, lembrou que não foi fácil a adaptação a essa nova realidade de ensino a distância por questões de acesso à infraestrutura de qualidade. “Nós nos deparamos com uma situação a partir do momento que começamos a migrar parte da plataforma de ensino: boa parte de nossos alunos não provinham uma banda larga suficiente para aproveitar essa nova forma de ensino”, pontua.

A situação também foi diagnosticada no SENAI-SP, segundo Ricardo Terra, diretor regional da entidade, por meio de pesquisa com os alunos. “Educação híbrida é uma solução importante e viável, testamos isso na pandemia. Fizemos uma grande pesquisa com os nossos alunos: dos 60 mil matriculados em cursos regulares, 700 não tinham modem. Fizemos uma licitação para isso, conseguimos modem a R$ 15,00 junto a um fornecedor e permeamos todos os nossos alunos com oportunidade de oferecer conectividade. Foi um sucesso, todos tiveram desempenho e não tínhamos evasão diferente do que tivemos no ano passado”, discorre Terra.

Mesmo este ano, o SENAC e o SENAI continuaram recebendo investimentos, segundo o presidente das instituições, Paulo Skaf, por acreditarem na educação completa. “Diria que temos a maior rede privada educacional do País, onde fizemos uma grande revolução, chegando a quase 200 escolas e laboratórios modernos, entre revitalizados e construídos. Investimos bilhões de reais, nos últimos anos. Considero que investimos no melhor investimento que existe, que é a educação”.

Novo mundo

Ribeiro discorre sobre as necessidades de conhecer e adaptar-se ao novo mundo do mercado de trabalho. “A nossa geração que enfrenta o desafio de passar da sociedade da segunda revolução industrial que se exaure para sociedade da informação, da Indústria 4.0, da Inteligência artificial, da aprendizagem da máquina, na interação homem e máquina”, fala o ministro.

Ele completa que o novo mundo de trabalho leva em conta mais do que saber fazer, exige conhecimentos, competências, habilidades para atuar frente ao desenvolvimento constante de novas tecnologias, das transformações, dos processos produtivos e das relações comerciais e sociais. Esse novo mundo de trabalho demanda de um lado competências técnicas, específicas da ocupação (hardskills) e de outro, competências como criatividade, saber trabalhar em equipe, capacidade de se adaptar a diferentes ambientes, construir soluções e atuar com autonomia (softskills).

Paulo Skaf concorda com o ministro sobre seu posicionamento frente ao momento de grandes mudanças sociais que estão acontecendo. “Os jovens estão precisando ter oportunidade de fazer cursos, se preparem para essa vida que temos que enfrentar, essa nova concorrência, esse novo mundo. Esse novo mundo que tem uma palavra-chave, que é adaptação, temos que nos adaptar a todo momento, às novas situações e aos novos conhecimentos”, conclui Skaf.

Ricardo Terra reforça que “a competição entre as empresas e seus agrupamentos é um processo global. Portanto, a educação profissional que se pressupõe para esse tipo de atividade, precisa também ter esse olhar global”. 

Quando se olha para o mercado de trabalho, no pós-pandemia, segundo Ana Kuller, já há previsões de como será esse novo cenário. “A gente vai ter aceleração da automação, transformação de tarefas de trabalho e habilidades importantes, necessidade de qualificação e requalificação (estratégia de transição da força de trabalho), menos posições de emprego, mais invenção ocupacional e formação não linear”, fala.

Garantir a educação profissional é uma tentativa para a economia reerguer-se o quanto antes após a crise causada pela pandemia do Covid-19, conforme disse Monika. “Um reavivamento da economia, após a crise, só pode ser possível com um número suficiente de trabalhadores qualificados e bem treinados. Por essa razão, é preciso prestar atenção especial à manutenção do treinamento. Para isso, prevemos algumas medidas, como promover apoio em treinamento para empresas, orientação vocacional e treinamentos na rede”, finaliza.

O debate online “Para onde vai o trabalho e a educação profissional?” fica disponível em bit.ly/forum_educacao para rever quando quiser!