Fiesp e SENAI -SP promovem debate sobre oportunidades e desafios da micromobilidade urbana
14/05/2026 - atualizado às 11:38 em 14/05/2026
Painel do SP Innovation Week destaca potencial de crescimento do setor e necessidades de regulamentação e capacitação profissional
Um painel organizado pela Fiesp e pelo Senai-SP durante o SP Innovation Week reuniu na quarta-feira (13/5) lideranças do setor da micromobilidade urbana para discutir os desafios para o futuro do uso cada vez maior de veículos leves elétricos nas grandes cidades do Brasil.
O encontro, moderado pelo diretor da Divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Manuel Neto, destacou que, embora o setor avance rapidamente, a consolidação desse novo tipo de transporte depende de uma maior segurança jurídica e do fortalecimento da cadeia produtiva nacional.
Um dos principais pontos discutidos foi a fragmentação regulatória. Segundo Rui Felipe Almeida, vice-presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), a ausência de uma diretriz federal clara gera incertezas para investidores.
"O Brasil não tem uma política nacional de eletrificação, e isso complica muito a situação. Você não tem segurança jurídica", afirmou Almeida, citando as dificuldades impostas por interpretações divergentes de municípios sobre as normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

A gerente de relações governamentais da empresa de aluguel de patinetes Jet Brasil, Natalya Barbosa, acrescentou que a falta de uma uniformidade nas normas de diferentes cidades dificulta a expansão da oferta do serviço no país.
O diretor da unidade Senai Ipiranga-Automobilística, Durval Pinheiro Júnior, ressaltou que as baterias representam cerca de 40% do valor dos veículos elétricos e que o país tem potencial para nacionalizar componentes. Pinheiro destacou que a ampliação da participação nacional no setor também depende da definição de regras.
"As regulamentações são muito importantes para gerar escala. O empresário industrial precisa de escala para oferecer tecnologias que propiciem o fortalecimento da produção nacional", declarou o diretor do Senai.
No mercado de duas rodas, o cofundador da empresa de motos elétricas Vammo, Billy Blaustein, lembrou que o Brasil quebrou o recorde de emplacamento de motos em 2025, mas apontou que a participação das motocicletas elétricas no mercado ainda tem um grande potencial de crescimento.
Blaustein destacou que o modelo de assinatura e troca de baterias está em alta e pode contribuir para a redução de custos e geração de novos negócios, em especial, com uma adesão cada vez maior de serviços de entrega.
Por fim, o mediador do painel, Manoel Neto, citou uma resposta prática para atender às necessidade do setor com o anúncio do lançamento, em julho, de um curso pioneiro do Senai para a formação de técnicos na manutenção de equipamentos de eletromobilidade. A iniciativa, apoiada por empresas do setor, busca qualificar profissionais para lidar com sistemas de alta tensão e gestão de baterias e supre uma lacuna crítica de mão de obra especializada no país.