SENAI-SP e Stanford discutem aplicações de robô submarino para a indústria de energia na ROG.e 2026

Por: Amanda Pascoal, SENAI-SP
28/09/2026 - atualizado às 09:55 em 29/09/2026

 

Tecnologia capaz de levar visão e tato humanos até mil metros de profundidade deve ser
demonstrada no Brasil em novembro para avaliar usos em operações offshore 

 

Levar a capacidade humana a regiões do oceano onde uma pessoa não consegue chegar. Essa é a proposta do OceanOneK, robô humanoide submarino desenvolvido pela Universidade de Stanford e apresentado no último dia 22, durante a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro. A tecnologia foi tema do painel com Oussama Khatib, professor de Ciência da Computação e diretor do Stanford Robotics Center, e Daniel Motta, gerente de Inovação e Tecnologia do SENAI-SP. 

Realizada de 21 a 24 de setembro, no Riocentro, a ROG.e reúne empresas, especialistas, pesquisadores e representantes da cadeia de energia em uma programação dedicada a temas como inovação, transição energética e novos negócios. O evento se apresenta como o maior festival de energia do planeta e inclui, entre suas atrações, o iUP Innovation Connections, espaço dedicado à conexão entre startups, grandes empresas, investidores e instituições de ciência e tecnologia.  

Foi nesse ambiente que Motta e Khatib discutiram sobre como avanços da robótica podem responder a desafios concretos no setor de óleo e gás. Ao longo da conversa, o pesquisador de Stanford mostrou a trajetória de desenvolvimento do OceanOneK e suas possibilidades de aplicação em inspeção, manutenção e outras atividades realizadas em águas profundas. 

Para Motta, tecnologias como essa ganham relevância quando encontram aplicações capazes de responder aos desafios do setor produtivo. "Existe uma distância entre a pesquisa básica desenvolvida nas universidades e a maturidade tecnológica que a indústria precisa para adotar uma solução. O SENAI-SP atua justamente nesse caminho, transformando pesquisa em desenvolvimento aplicado para que a tecnologia possa chegar de fato à indústria", explica Motta. 

O robô foi projetado para alcançar profundidades de até mil metros e permite que seu operador enxergue por meio de suas câmeras e perceba, por uma interface háptica, o contato realizado pelas mãos da máquina. Na prática, funciona como uma extensão do corpo humano: enquanto o equipamento permanece no fundo do mar, o profissional recebe informações visuais e táteis na superfície. 

Segundo Khatib, estruturas submarinas do setor de óleo e gás exigem inspeções e manutenções em condições nas quais a atuação humana se torna complexa e limitada pela profundidade. “De certa forma, o robô estende as mãos humanas para além de seu alcance. As pessoas não conseguem chegar a mil metros de profundidade, mas agora podemos alcançar essa distância, ver o que o robô vê e sentir o que ele toca”, explica. 

O debate levantou uma questão recorrente na inovação industrial: como transformar conhecimento científico em soluções capazes de responder às necessidades reais das empresas. Durante o painel, Khatib destacou que o desenvolvimento com esse tipo de solução depende da conexão e articulação entre diferentes áreas do conhecimento, centros de pesquisa e indústria. 

O SENAI-SP e a Fiesp atuam nessa aproximação com a Universidade de Stanford para estudar aplicações do OceanOneK no contexto brasileiro, especialmente em atividades offshore. A discussão iniciada no Rio de Janeiro terá um novo capítulo em novembro, com o retorno de Oussama Khatib ao Brasil para uma agenda que prevê a demonstração da tecnologia na Baía de Santos, no litoral paulista, para empresas do setor.